sexta-feira, 4 de junho de 2010

Azeitona em mim

Acordou tarde, seu corpo ainda se encontrava rígido. Boca amarga, a maquiagem já havia se espalhado por todo o rosto. Sim, era dia de ressaca, além de todo o álcool consumido em poucas horas na noite passada, lembrou da agressividade que aquele cara a beijava. Também bêbado. A beijava numa esquina com putas gordas. A noite foi como um cuspe azedo. Havia cansado de sua imagem frágil e tímida. Transou até sem vontade, queria esquecer da necessidade de uma delicadeza. Que puta-mer-da. Não posso promoter-te uma possibilidade do amanhã. Talvez goste mesmo dessa coisas de sofrer. Amores platônicas são válidos, essencial é sofrer por uma coisa tosca e impossível. Na verdade desejar o impossível é orgástico. Me rasgo por dentro em um desejo de ter-lhe pra mim. E após tê-lo, mastigá-lo como uma carne de churrasco. O problema esta na continuidade, não consigo, merda, não consigo andar num ritmo há uma força inerente que me carrega para um outro lado. O que me atrai é o subjetivo. É o inflamado. Sei, irei te conquistar de golinho em golinho, todos sabem que taurinos são pacientes e determinados. Acredito, não caia nessa cara! Não! Como um gatinho manhoso irei te viciar em mim, paulatinamente, depois, irei te desejar, com outras características, não vou de odiar, não é isso. Irei te querer mais de uma outra forma, uma forma que dependerá de todo meu complexo e carências internas. É isso, não vou te querer pra sempre como o mesmo. Vou te querer, se você for vários. Que me faça doer que me ame como um cão abandonado.
Levanto da cama, me alimento de esfirra de queijo com coca-cola – bom dia gastrite. Amarro meus cabeços, desejo uma música, quero um jazz. Há uma força de mudança me deixa consciente de mim. Uma sensação de liberdade que rodeia meu útero. Não quero mais empates, quero ganhar, quero trazer pra mim. No estilo de comer uma azeitona, aproveitar cada pedaço e cuspir o caroço. Acordou com uma vontade de cuspir você e todos os outros.

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