domingo, 20 de junho de 2010

Aluga-se inspiração

Era domingo de outono. Um sol. Um frio. Quase 8 horas da manhã. Roberto Lanrumbur já havia tomado seu café com leite, ainda se encontrava de pijama, no entanto conferia o anúncio programado no jornal “aluga-se apartamento, dois quartos, vaga de garagem, recém reformado R$ 1.500,00 reais, aceito depósito, ligue para 21 4567-8754” sentado no sofá aguardava o telefone que estava sob a mesa tocar, por enquanto nada, nenhum telefonema. Mas sabia que após às 8h30m falaria com diversas pessoas ansiosas por uma nova moradia e isso o estigava.

A primeira ligação ocorreu exatamente no horário previsto eram 8h32m, era uma voz de menina, praticamente uns 28 anos.

-Alô

-Bom dia, poderia falar sobre o anúncio publicado no jornal referente ao aluguel do apartamento.

-Ah sim, pois não.

-Qual é o endereço do apartamento?

-Fica na Rua Senador Vergueiro, n. 17.879, nono andar

-Ah sim, ótimo, que horário poderei visitá-lo?

-A partir das 2 horas da tarde.

-Ok, muito obrigado, até mais tarde tenha um bom dia.

-Até.


Ana Maria, 25 anos, recém-formada em direito, estagiou boa parte de sua vida em um escritório especializado na área civil, mas precisamente, Direito do consumidor. Aprendeu com sua profissão que a simpatia abre portas, percebeu que quem deveria mostrar o apartamento seria o próprio proprietário para isso elaborou uma estratégia, é preciso conquistar a simpatia do velho. Conversas sobre coisa inúteis, perguntar sobre a profissão dele, afinal ele parece ser aposentado, fazer perguntas, criar empatia, se tiver oportunidade contar sua história triste do quanto vive apertada em um apartamento quarto e sala com cheiro de armários mofados no qual divide com sua namorado Júlio, estudante de arquitetura, maconheiro, desligado, funkeiro e paulistano. Procura um dois quartos pois precisa de mais espaço, acostumado desde a infância morar em grandes apartamentos Ana Maria deseja um apartamento maior para seu conforto. Falta-lhe dinheiro, possui nome sujo não conseguir honrar com os pagamentos de seus cartão de crédito, mas seu namorado Júlio promete ajudá-la na diferença do aluguel devido seu novo emprego e seus pais ricos.


-Alô

-Boa tarde gostaria de falar com o responsável pelo apartamento de dois quartos?

-Pois não?

-Poderei visitá-lo hoje?

-A partir das 2 horas, na Rua Senador Vergueiro, 17.879, nona andar

-Gostaria de saber de o condomínio esta incluso.

-Sim, ele este incluso, basta depositar o valor de R$ 1.500,00 todo dia 05 em minha conta.

-A sim, moro ao lado perto deste prédio mais tarde estarei lá para visitá-lo, obrigada pela atenção, até mais tarde.

-Obrigado, inté.


Alice é designer, amante de literatura, música Clássica, possui uma filha de 5 anos de um antigo casamento, sua mãe mora no interior de São Paulo, mora com Mauro, jornalista esportivo, calmo, carinho mais nada ambioso, gosta do seu trabalho, no entanto não gota de trabalhar. Alice fuma cigarros de baile, se acha gorda, não consegue emagrecer e nunca fez sexo anal. Procura uma apartamento no Flamengo, pois mora atualmente no catete e acha que se mudando para o Flamengo, aumentaria sua qualidade de vida, tendo em vista que as ruas no catete a noite não estão sendo nada seguras, gosta de lugares bonitos, gostar de andar pelas ruas a noite, odeio o catete, também há implicância. O casal possui nome sujo no SPC, Alice gasta muito dinheiro com a sua filha e Mauro, não sabe controlar sua vida financeira.


-Alô

-Tudo bem? Gostaria de visitar o imóvel anunciado.

-Estará disponível as duas. O endereço é Rua Senador Vergueiro 17.879

-Estarei lá, obrigada.


Luiz, analista de sistema, recém-contratado de uma grande empresa em botafogo, adquiriu um carro zero, sua próxima aquisição será uma casa, por enquanto ainda não possui dinheiro suficiente, deseja se mudar para um local mais próximo do trabalho, pois atualmente pela duas conduções para ir e voltar do trabalho, anda cansado, quer ter mais tempo livre. Kathiny é sua namorada, possui 21 anos, ainda não decidiu em qual faculdade, começou a fazer direito, no entanto trancou e até a presente data não decidiu o que fazer didaticamente. Há boatos que Kathiny nunca o foi fiel.


Roberto Lanrumbur recebeu certa de 17 ligações, não sabe ao certo quantos visitas marcou, pois tem gente que não confirma a presença. Começa a preparar sua comida, sorri pra si mesmo, já esta acostumado com essa rotina aos domingos. Anúncia seu apartamento a anos, nunca o alugou, o que o simpatizava era o fato de torturas jovens, adulto, casados e solteiros. Sentia prazer em criar dentro desses casais uma possível esperança de melhorar suas vidas, mas conforto, até por que o seus apartamento era espetacular, dois amplos quartos, tudo reformado, cozinha americana, banheiros amplos, inacreditável para o valor anunciado. Roberto era escritor, se formou em psicologia, aquariano e argentino. Possui dois gatos em casa, ama o flamengo, já mora no bairro cerca de 23 anos. Acredita que com a idade sua inspiração para escrever contos ficou mais difícil, não vive intensamente como antes, gosta da intensidade, gosta dela perto de si, assim, acredita que a intensidade esta no desejo de algo eterno, estático, como a casa das pessoas. Assim, criou essa estratégia de anunciar seu apartamento para anúncio. Gosta de conhecer pessoas desconhecidas. Mistura os casais, faz longos romances, imagina besteiras entre casais desconhecidos que estão olhando de rabo de olho uns aos outros, devido ao desejo de ficar com o apartamento, é uma guerra, e quem supostamente decide, é ele. Mas até hoje, nunca decidiu nada, ao contrário, muitas pessoas serviram de inspirações a seus contos, para que ele ganhasse dinheiro, com o sofrimento alheio.


Mostrou o apartamento a cerca de 23 pessoas, entre as 2 horas e às 4 horas. Escutou muitas história, imaginou diversos contou, passou o resto da tarde a escrever. O telefone toca:

-Alô

-Seu Roberto, sou o Fred Guhy, gostaria de fechar o apartamento, estou com toda a documentação correta.

-Ah sim, desculpe senhor Fred, o apartamento já foi alugado, desejo-lhe boa sorte.

-É uma pena, eu e minha esposa gostamos muito, peço que anote me telefone caso haja desistência estamos dispostos a iniciar uma nova negociação.

-Sim, claro (…)


Desligou o telefone, e acredita que até o final do mês seu livro fica Pronto. Alice com Mauro. Gustavo com Clara. Clara com Roberta. Roberta que traiu João. João da Anna. Anna se apaixonou por Luiz. Luiz Por Ana. E Roberto com quase todas, em sua imaginação.







sábado, 12 de junho de 2010

Noite tosca

O nojo borbunha em minha boca. Nojo azedo de seus dentres. Maldito momento de carência. tenho que tomar cuidados com meu vício de vencer desafios. Desafie-te por pura infantilidade, uma coisa de menina boba e mimada como eu. Já disse, você caiu na minha isca e dessa vez fui eu quem deu nos dentes. No mundo virtual posso consultar suas fotos. Nossa, acho tão feio seus dentes, e suas filhas são tão feias, parecem filhotes de cruz-credo. E sua mulher coitada a mães desses filhotes tão feinhos, por isso nem preciso entrar em detalhes da aparência estética delas.(rs). Aquele dia é óbvio que bebi, você me beijou sem nenhuma delicadeza, claro é gordo e muito feio. No momento fiquei com vergonha da polícia. Acho que pensavam que você era um pedófilo, eu ficava tão pequenina em suas mãos grossas com mais e 40 anos. Odiei o beijo, repito, odiei seus dentes em minha boca, mau hálito de cigarro, suas mãos em meus peitos, sexo sujo de uma noite tosca pra nunca mais. Preciso estar mais em mim.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Calo

Foi um calo,
não esses de pé e mão
era calo
de ficar calado mesmo.

tive que engolir.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Carinho

É tipo,
Morango com mel.

sábado, 5 de junho de 2010

Rodeios

Não tenho talento algum para compor músicas,
não tenho talento das atrizes
não faço sexo sem compromisso
não gosto que falem alto
nem que riam de mim

Não sou de grudes,
sou da velha história dos amores livre
de tão livres
são tão presos

assim como me prendo
me perco em ti,
assim clichê
assim sem bossa
sem música em violão

cigarros aromatizados me viciam
no fundo odeio os cheiros
odeio os gostos
odeio odiar
odeio frescuras
sou tão fresca

abracei-te forte
mas você nem percebeu
é triste
não, eu gosto da dor
eu gosto do inflamado, já disse

eu quero te dar.
entende?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Querida Lucy,

Distúrbios neuróticos de uma mente enlouquecida. É óbvio que houve um bague sinistro da natureza que deu origem há essa nossa inteligência e conseqüentemente as neuroses abessivos compulsivas, característica única de nos terráqueos. Os humanos são incrivelmente esquisitos, observe friamente seus hábitos, não é tosquinho? Homens tão ogros e mulheres, putz, as mulheres são todas loucas, não existe uma mulher que não seja louquinha da cabeça nesse planeta! Mas claro que como qualquer homem, entre os ogros e as loucas, prefiro ficar com as loucas, porque deus foi justo, colocou uma boceta e uma beleza nelas, pra ver se compensava! Foi quando conheci Lucy, no posto de gasolina, estava comprando um cigarro, ali estava ela. bebendo uma cerveja, seus cabelos eram lisos e negros, até o ombro, roupas estilosas, uma boca gorda deliciosa, e uma mente alucinada! Eu estava noivo, a noite foi tão intensa que minha aliança foi delicadamente jogada pela janela do carro. Lucy era do caralho, linda, jovem, poética e brutalmente inteligente. louca e confusa como todas as mulheres, mas de uma sexualidade, puta que pariu. Não sabia, mas no fundo eu não passada de um objeto não identifica em sua memória. Transava comigo, e pensava em outro marmanjo. mas é óbvio que esse não era um otário embabaca por ela. Ela de fato gozava em mim, mas o gozo era de um pensamento de outro homem, isso é cruel. Talvez esse cara a desprezava. Uma vez me disse que se arrepende de ter errado com esse babaca. Que tem envergonha, de certas besteiras feitas. Que chora no travesseiro. Ahh mais não deixei-a me convencer que algum dia em sua vida seu travesseiro tivesse enfestado de formiga, não, você não chora. Querida Lucy, não há doce em você, seu cheio é ácido como o limão. e eu, um universitário que só não lembra corretamente do seu rosto, já da sua boceta... hum.

Tragando

Acaba por ser aquele trago,
do cigarro que nem fumo mais.

Azeitona em mim

Acordou tarde, seu corpo ainda se encontrava rígido. Boca amarga, a maquiagem já havia se espalhado por todo o rosto. Sim, era dia de ressaca, além de todo o álcool consumido em poucas horas na noite passada, lembrou da agressividade que aquele cara a beijava. Também bêbado. A beijava numa esquina com putas gordas. A noite foi como um cuspe azedo. Havia cansado de sua imagem frágil e tímida. Transou até sem vontade, queria esquecer da necessidade de uma delicadeza. Que puta-mer-da. Não posso promoter-te uma possibilidade do amanhã. Talvez goste mesmo dessa coisas de sofrer. Amores platônicas são válidos, essencial é sofrer por uma coisa tosca e impossível. Na verdade desejar o impossível é orgástico. Me rasgo por dentro em um desejo de ter-lhe pra mim. E após tê-lo, mastigá-lo como uma carne de churrasco. O problema esta na continuidade, não consigo, merda, não consigo andar num ritmo há uma força inerente que me carrega para um outro lado. O que me atrai é o subjetivo. É o inflamado. Sei, irei te conquistar de golinho em golinho, todos sabem que taurinos são pacientes e determinados. Acredito, não caia nessa cara! Não! Como um gatinho manhoso irei te viciar em mim, paulatinamente, depois, irei te desejar, com outras características, não vou de odiar, não é isso. Irei te querer mais de uma outra forma, uma forma que dependerá de todo meu complexo e carências internas. É isso, não vou te querer pra sempre como o mesmo. Vou te querer, se você for vários. Que me faça doer que me ame como um cão abandonado.
Levanto da cama, me alimento de esfirra de queijo com coca-cola – bom dia gastrite. Amarro meus cabeços, desejo uma música, quero um jazz. Há uma força de mudança me deixa consciente de mim. Uma sensação de liberdade que rodeia meu útero. Não quero mais empates, quero ganhar, quero trazer pra mim. No estilo de comer uma azeitona, aproveitar cada pedaço e cuspir o caroço. Acordou com uma vontade de cuspir você e todos os outros.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Epiderme idiota

Perceba. Nunca quis fazer um retrato sínico de minha imagem, e nunca também desejei ser o rei. Por muitas vezes já matei leões, puta sorte, eu juro, foi sorte. Não gosto dos muitos. Sabe? Coisas muito, MUITO? Me enjoam. O pouco é pouco demais para ser. Já o meio, não traduz intensidade. Que putz, há muita intensidade em mim. Eu fico entre o meio e o muito, certo? É que tenho uma epiderme idiota. Que sofre coitada, coitadinha. As vezes é duro ser eu.